
Com o avanço da internet e a digitalização da informação, as bancas de jornais passam por um processo de declínio, mas a primeira banca de jornal de Brasília, localizada na superquadra 108 Sul, ainda resiste diante desse cenário ameaçador. O proprietário do estabelecimento, Sr. Laurindo é um baiano de 88 anos, radicado em Brasília, que reside na capital desde 1960, mora em Valparaíso de Goiás e pega ônibus todos os dias para se locomover até o trabalho.
Quando chegou na cidade, o pioneiro logo pensou em abrir o próprio negócio e com a visão de empreendedorismo observou que o local não tinha uma banca de jornal. Não demorou para que em alguns dias o espaço começasse a funcionar. Laurindo tornou-se o primeiro jornaleiro da quadra, segundo ele, era comum formar filas enormes de leitores para comprar jornais. Com o passar dos anos o negócio se ampliou e ele usou da sua criatividade para implementar a venda de livros, revistas, doces, água de coco, refrigerantes e também oferecer aos seus clientes o serviço de lan-house.
Com intuito de embelezar o espaço, o Sr. Laurindo plantou duas árvores ao lado da banca. São dois Fícus italianos, popularmente conhecidos como figueira-branca ou falsa-seringueira. As árvores foram plantadas na primavera de 1963, elas ainda estão no local e completaram sessenta e dois anos, a ampla largura de seus troncos formam um imenso túnel de folhagens.
O fato marcante é que além da banca, as árvores tornaram-se um ponto turístico, pois diariamente vários turistas são atraídos pela bela estrutura de galhos entrelaçados. O jornaleiro garante que ao passar entre as duas árvores, fazendo três pedidos com muita alegria e entusiasmo, eles se realizarão. Desde então ficou conhecida como a “Árvore dos desejos” ou “Túnel do Ficus”.
O local onde a árvore dos desejos se encontra, é considerado um ambiente instagramável e o Sr. Laurindo faz questão de ser o fotógrafo do visitante, pois só ele sabe o ângulo correto da fotografia que dá um efeito ilusório onde a passagem entre as árvores imita o formato de um pé.
O empreendedor se orgulha de ter contribuído ativamente para a história de Brasília, ainda tem muitos planos, como escrever um livro, no gênero autobiográfico. Enquanto isso, ele registra mensagens e assinaturas dos turistas. Todos esses depoimentos farão parte da sua autobiografia. Com certeza, terá muito o que contar, pois ele acompanhou o progresso da cidade, vendeu jornais para pessoas importantes e presenciou a história de Brasília passar por sua banca e fazer-se patrimônio cultural.
*Fabíola Fabrícia é escritora, poeta bilíngue, colunista, antologista e professora graduada em Letras Português/Inglês e Respectivas Literaturas e Pós-graduada em docência do Ensino Superior. A autora tem seis livros publicados, participação em diversas antologias nacionais e internacionais. Foi convidada a apresentar os seus livros na Feira Virtual Internacional Del Libro Centro América, Peru, Chile e Argentina, entre outras.



