Entre liberar a circulação, acomodar os equipamentos e esconder a fiação, a decisão vem de encontro com fatores como funcionalidade e na composição dos ambientes

Ao planejar a sala de estar, definir a posição do sofá condiciona a localização da TV que, por sua vez, pode ocupar a parede ou ser apoiada em uma superfície. As duas possibilidades interferem no décor, o armazenamento e a circulação do ambiente, além do conforto do morador enquanto assiste seus programas.
Para o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier Paulo Tripoloni, a decisão deve partir da relação entre o equipamento e a rotina da casa. “É preciso olhar para as características do espaço, a infraestrutura disponível e os hábitos de quem mora ali”, observa.
Analisando a instalação
Antes de imaginar o efeito visual da TV suspensa ou apoiada, o profissional recomenda verificar as condições da parede que a receberá. Esse é um cuidado determinante, pois além da alvenaria tradicional, a superfície também pode ser estrutural, com o emprego do concreto, e drywall.
No primeiro caso, furar a parede sem conhecer sua composição pode comprometer a estrutura caso a armadura seja danificada. “Sem contar que é necessário executar o processo com uma furadeira e broca específica para concreto”, argumenta Paulo. No caso do gesso, é primordial considerar um reforço, dentro da parede, com a fixação de um perfil metálico compatível com o peso a ser fixado.
Mas o processo não se resume a isso e Paulo explica que a passagem dos fios e cabos deve ser prevista no início do projeto. Essa atenção assegura a instalação de um duto interno na parede que resultará em um visual limpo na arquitetura de interiores e, para tanto, é fundamental estimar o volume de equipamentos que terão suas conexões ocultas – caso dos videogames, modems, aparelhos de home theater e outros eletrônicos.
No entanto, em imóveis alugados ele indica desconsiderar essa possibilidade. “Além do trabalho e o custo de alterar um imóvel que não é seu, é bastante provável que o proprietário não autorize essas intervenções”, aconselha.

Quando vale tirar o móvel do caminho
Em ambientes compactos ou com circulação intensa, a televisão suspensa e sem a companhia de um rack ganha uma vantagem importante: a liberação da área do piso. O profissional afirma que a estratégia é interessante nos dormitórios como meio de ampliar a circulação próximo à cama; nas varandas gourmet, onde a presença da TV é parte do entretenimento e, por isso, suportes no teto ou na parte superior, acompanhado de prateleiras é suficiente e, por fim, na cozinha, onde o equipamento é menos usual, também não é fundamental conceder uma posição relevante para o eletroeletrônico. “Em geral, queremos apenas acompanhar o noticiário ou ligar algo com a finalidade de nos fazer companhia”, opina.

Na visão do profissional, a TV apoiada consome área útil da sala de estar. “São cerca de 40 cm de profundidade que favorecem a circulação dos moradores”, pontua. Por outro lado, o móvel que recebe a TV se torna viável para acomodar os outros equipamentos e outras necessidades da casa.
Atenção com as medidas
Após bater o martelo quanto ao tipo de instalação, Paulo explica que o próximo passo consiste em avaliar a distância entre a tela e o olhar. Nas salas de estar, onde a televisão é observada a partir de um sofá, ele sugere que o centro da tela esteja entre 1,10 e 1,20 m acima do piso.
Em dormitórios, essa referência sobe um pouco – de 1,40 a 1,50 m –, para o bem-estar de quem assiste deitado. O especialista ainda recomenda a instalação de um suporte que permita inclinar levemente a tela para baixo, acompanhando a posição de quem está deitado. “Lembrando que o item deve ser proporcional com as dimensões da TV tanto por conta da estética, como pela segurança”, reitera.
A TV em linha com o décor
Até pelo grau de relevância que ganhou em nossas vidas, o equipamento assume um grande destaque no ambiente, mas isso não significa entregar ao item o protagonismo. Paulo afirma que o conjunto pode exaltar a beleza de uma marcenaria marcante, uma iluminação cênica bem trabalhada, a exposição de itens decorativos e a arte.

A marcenaria também é eficiente quando a ideia é equilibrar a sala de estar. O arquiteto relata que a execução de painéis sob medida ou nichos ajudam a enquadrar a TV e abrir mais espaço para a decoração.
Por fim, ele menciona a viabilidade de fazer o eletroeletrônico ‘desaparecer’ do cômodo quando não estiver em uso com a inserção de portas deslizantes ou brises. “A alternativa precisa ser muito bem estudada e o resultado fica muito interessante”, conclui Paulo.
Sobre o Atelier de Arquitetura Paulo Tripoloni
Para o arquiteto Paulo Tripoloni, nascer na maior cidade da América Latina o fez refletir, desde cedo, sobre o lugar do homem nas cidades – o morar, o viver e o trabalhar. Morar em São Paulo despertou nele o olhar atento aos detalhes, necessidades e a força que a urbanidade trazia. Encontrou na arquitetura minimalista uma de suas inspirações para realizar projetos que buscam atender às necessidades da vida contemporânea por meio de ambientes funcionais, belos e ecologicamente responsáveis que conectem cada cliente ao que, de fato, é essencial para cada um.
Instagram: @paulotripoloni
Site: www.paulotripoloni.com.br


