Combinação de fatores climáticos e hábitos da estação prejudica a barreira cutânea; dermatologista explica os riscos e ensina a escolher os produtos certos. Foto: Pexels)
Com o inverno se intensificando e as temperaturas caindo em grande parte do país, dermatologistas alertam para o aumento nas queixas de pele ressecada, coceira, descamação e ardência. O problema vai além do desconforto: segundo especialistas, o ressecamento severo pode abrir caminho para infecções e agravar doenças crônicas de pele. A dermatologista Dra. Patrícia Dalboni explica por que a estação é tão agressiva para a pele e o que qualquer pessoa pode fazer, agora, para se proteger.
Por que a pele resseca mais no inverno?
Há três fatores que atuam ao mesmo tempo: no frio, a pele produz menos oleosidade naturalmente; com a baixa umidade do ar, aumenta a perda de água; e os banhos quentes e prolongados destroem a camada lipídica que protege a superfície cutânea. “Com isso, a pele fica mais seca, áspera, irritada, sensível e mais sujeita a alergias e sensibilidades”, afirma a Dra. Patrícia.
Esse processo compromete a barreira cutânea, uma espécie de escudo formado por células, gorduras naturais e água. “O frio e o ar seco geram microfissuras invisíveis que rompem esse escudo, aumentando a perda transepidérmica de água. Isso deixa a pele mais irritada e com maior tendência à inflamação, o que pode causar sensação de repuxamento, ardência, coceira, vermelhidão e até descamação”, explica a dermatologista.
O banho quente é um dos maiores vilões
O banho quente é um dos principais responsáveis pelo ressecamento nessa época. A médica usa uma analogia simples para explicar o efeito da temperatura. “É como quando você lava louça. Com água fria, a gordura demora mais a sair. Com água quente, ela sai facilmente, às vezes sem nem precisar de sabão. O mesmo acontece com a pele: a gordura da superfície vai embora. Quanto mais quente e prolongado o banho, pior o ressecamento”, compara a dermatologista.
Os sinais de que o corpo está sofrendo são visíveis: opacidade, falta de viço, descamação, vermelhidão, coceira e ardência. Nos casos mais graves, especialmente em idosos ou pessoas com dermatite, a pele pode apresentar o aspecto “craquelado”, com rachaduras que chegam a sangrar.
Quais regiões do corpo exigem mais atenção?
Pernas, pés, cotovelos, joelhos, mãos, lábios e rosto são as áreas mais vulneráveis. A Dra. Patrícia chama atenção especial para tornozelos e pés de idosos e diabéticos. “O ressecamento cria microfissuras que podem ser porta de entrada para bactérias e, em casos mais graves, favorecer infecções como a erisipela. Por isso, a hidratação nessas regiões é fundamental”, alerta.
O que mudar na rotina agora?
A dermatologista recomenda reduzir a frequência e a temperatura dos banhos. “Nós, brasileiros, temos tendência a tomar muitos banhos. O ideal para a pele é um por dia. Quando não for possível, o segundo banho deve ser rápido e com pouco sabonete, só nas áreas mais necessárias”, orienta.
Ela também indica substituir sabonetes comuns por syndets (sabonetes sem detergente, menos agressivos) ou óleos de banho, que limpam sem agredir a barreira da pele. Buchas e esfoliações mecânicas devem ser evitadas, pois aceleram a remoção da camada protetora.
“O ideal é aplicar o hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, a absorção é melhor. No inverno, a pele tem mais necessidade dessa hidratação”, diz a especialista. Para quem tem pele sensibilizada, a recomendação é dar preferência a produtos com menos perfume e mais poder hidratante.
Quais ativos procurar no rótulo do hidratante?
A Dra. Patrícia lista os ingredientes mais indicados para o inverno. “Ceramidas, ácido hialurônico, glicerina, pantenol, niacinamida, manteigas vegetais e lipídios reparadores são os que mais ajudam a hidratar e reparar a barreira cutânea”, resume a dermatologista.
Doenças de pele que podem piorar no frio
Quem tem dermatite atópica, rosácea, psoríase ou melasma deve redobrar os cuidados. A dermatite atópica tende a piorar significativamente no inverno, e a hidratação rigorosa é a principal estratégia de controle. A rosácea pode ser agravada pelas mudanças bruscas de temperatura. Já a psoríase se beneficia da exposição solar moderada, então o inverno, com menos sol e mais ressecamento, pode agravar o quadro.
O melasma, por sua vez, não piora com o frio em si. “No inverno, muitas pessoas abandonam o protetor solar achando que não é necessário. Aí se expõem à radiação e o melasma piora. O frio não é o vilão, a falta de proteção solar, sim”, alerta a médica.
Protetor solar: obrigatório mesmo no frio
O uso do protetor solar é indispensável durante todo o ano, inclusive nos meses mais frios. A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que a radiação ultravioleta tem efeito cumulativo e os raios solares penetram profundamente na pele, podendo provocar manchas, rugas e tumores malignos como o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. “O protetor solar é necessário o ano inteiro. Estamos no Brasil, e aqui o índice de radiação ultravioleta é alto durante todo o ano, inclusive nos dias mais frios. Ele previne o envelhecimento precoce, manchas e, principalmente, o câncer de pele”, reforça a Dra. Patrícia. “No inverno, muitas pessoas abandonam o protetor achando que não precisam. Esse é um dos erros mais comuns, e um dos mais caros para a saúde da pele.”
Dra. Patrícia Dalboni RQE Nº 41772
Desde os primeiros passos na medicina, a Dra. Patrícia Dalboni trilhou uma jornada marcada por dedicação, resiliência e busca pelo aprimoramento profissional. Iniciou sua carreira como cirurgiã pediátrica, atuando por 16 anos, e há 18 anos dedica-se integralmente à dermatologia.
Os anos de experiência cirúrgica trouxeram precisão, segurança e habilidade para a realização de procedimentos dermatológicos, tornando sua atuação ainda mais eficaz.
Hoje, a Dra. Patrícia é especialista em dermatologia com foco em saúde da pele e estética, unindo conhecimento científico, técnicas avançadas e uma abordagem humanizada para promover beleza, bem-estar e saúde da pele de forma natural e segura.


